quinta-feira, janeiro 27, 2011

uma carta

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Fiquei pensando em coisas que talvez eu tenha sempre querido falar (e nunca o fiz) para você e em coisas que nunca passaram pela minha cabeça compartilhar contigo, nada justificável, apenas uma questão de seleção do que se fala no espaço de tempo da convivência.

Entre tais coisas, vi que uma delas permeava as duas situações. Entre o querer e o nunca ter cogitado.

Sinto-me no mergulho, imersão. Experienciar-se na companhia do outro e vivenciar o outro na mesma proporção. Sem ignorar os limites entre os seres (mente e corpo), respeitando-os. No outro, há a possibilidade mais deliciosa de prestigiar a beleza do estar vivo. Seu corpo é seu templo de vida. O corpo do outro é também uma extensão autônoma do nosso próprio corpo.

Uma aventura! Mistério deliciosamente desenhado por nós mesmos. A maior das obras de arte. O jogo do corpo nos cantos, nas ruas, na cidade. Na emoção. Um mergulho, outro mergulho e outros mais vários.

A conexão aconteceu. Eu fui junto, dentro de um potinho, embalada num pedaço de pano. Fui arremessada no ar e sair voando. Uma viagem... não quero que a viagem acabe, vou cada vez mais rápido e, ao mesmo tempo, percorro mais devagar cada pedacinho do tempo. Tempo inexistente.

O espaço é uma nota de música infinita. Constante e variável. Cada pedaço de segundo me proporciona outra e outra viagem.

Os sentimentos acompanham e vivem por si. Não respondo conscientemente a nada. A minha consciência estimada e apreciada e ensinada, acima de tudo, está em outra vibração. O sol se acende dentro e fica com a chama brilhando, por horas. O desejo é prolongar, enriquecer essa experiência.

Abra os braços para guardar e para libertar!

Abra os braços para abraçar e permaneça com eles quentinhos, envolventes, envolvidos...

O ar/ o jardim/ a lua/ a ventania/ o chão/ o provisório/ o coração/ a lentidão/ a chama/ o infinito/ a chegada/ o amor/ o amor/ o amor/ o amor


*esta carta nunca será lida porque deveria (ou não).

quarta-feira, janeiro 26, 2011

o desprezo


Antes, tudo ocorria como em uma nuvem de inconsciência, de cumplicidade. Tudo se cumpria com uma espontaneidade rápida, louca, encantada.
Havia notado que quanto mais duvidávamos mais nos aferrávamos a uma falsa lucidez, na esperança de racionalizar os sentimentos que se tinham tornado obscuros.
Costumávamos viver em uma nuvem de inconsciência, em deliciosa cumplicidade.

domingo, janeiro 16, 2011

belas tardes de domingo

Vivo num quarto com janela verde. Através dela, a paisagem é igual a muitas, indecifrável. Mas, hoje, especialmente hoje, me identifico, como nunca, com o que vejo: o céu que vai de encontro com as torres, criando um horizonte particular, desconfigurado. E, hoje, a desconfiguração contempla todo o caos que sinto, de incertezas e certezas.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

embaralho

às vésperas de um fim, a pensar no próximo começo. talvez o mal esteja aí, em pensar.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

fim de 2010

das prisões da existência, muitas serão irremovíveis
outras é uma questão de insistência, persistência, força...
outras, de necessidade mesmo: ou rompemos ou morremos

eu persisto, levando meu barco
caminhando de mãos dadas com o ar, como diz thiago de mello

(por medo, eu abandonaria a metade da vida que vivo)
por tesão, eu continuo vivendo-a.

sábado, setembro 18, 2010

dias de incongruência

Em contagem regressiva pelo fim (ainda que provisório) dos dias de incongruência.

segunda-feira, agosto 23, 2010

os elos

Tempos paralelos. A fim de encontrá-los ou inventá-los
Na busca da emoção, inebriados são os sentidos e os sentires
Mortos ou vivos
E são cada vez mais soltos, irresistivelmente humanos.