A solidão não é fácil, ainda mais quando não é uma escolha, mas fruto de inadaptação. Delphine, personagem do filme Le Rayon Vert (1986), de Eric Rohmer, é um exemplo daqueles que não estão colocados livremente. Ela vive em espécie de retiro pessoal e sob sombra incomodativa: protótipo dos que vagam sozinhos e descrentes.O filme, extremamente sensível às dores de Delphine, discorre nas desaventuras dessa anti-heroína francesa, que em nada reproduz a sedução das figuras do cinema daquele país. Ela é o que não deu certo. E nisso não há charme algum.
Sejam nos acasos que se sucedem ou na série de acontecimentos como combinação de circunstâncias, acompanhar Delphine em seus pequenos passos traz a dimensão de quão difícil é desconstruir medos. Porque, no caso da personagem, esses medos são barreiras intransponíveis e, apesar de desejar permissão, ela não concebe a si liberdade. Talvez porque liberdade também não seja algo tão fácil assim.
imagem: screenshot do filme

Um comentário:
Quero assistir... são tantos os filmes interessantes. Será que dá para ver todos? hahahahaha
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