sexta-feira, julho 09, 2010

exalar (ou um texto nascido de gestação estética)

Fico pensando, em tempos de adaptação, qual o impacto causado por agitações pertinentes. Primeiro, existe um pensamento agitado e um corpo inquieto, e que essa afirmação não ratifique a idéia do ser como fragmentos facilmente distinguíveis, ao contrário. O ser se materializa e se dilui nas várias manifestações da existência, sem que se possa encontrar os limites entre o que se diz ser atividade do corpo, da mente ou do espírito. O ser é uno.

Enquanto unidade preciosa detentora de infinitas possibilidades, o ser é no presente, somente podendo adotar o hoje (agora) como extensão viável da sua existência. Por isso, “tempos de adaptação” é algo permanente do eu-vivo. Caso contrário, os caminhos múltiplos intermináveis seriam confusos e desgastantes. É a constante sensação palpável do ser muitos e um só; é a angústia da opção como atividade exclusiva e não inclusiva.

Pronto. Nascem, então, vibrações cerebrais, carnais, espirituais próprias de pulsões voluntárias do prazer, por exemplo. O agora existe. Mas trabalhar na negação (ideal) do restante do tempo, que, neste caso, trata-se de um tempo sempre aberto, parece assustador e pouco seguro. São as vagas necessidades, propositadas pelo apelo do ser enquanto figura social. Papéis precisam ser exercidos com eficácia.

Pronto. Outro rompimento. As agitações pertinentes violam o estado social do ser. Ou melhor, o estado social do ser que ignora as necessidades, de fato, coletivas. Porque, no fim, compartilhar a existência é praticar a sua própria extensão, é vivenciar o outro na plenitude e conhecer a si como vida – situações pouco prováveis ou bastante raras. Quando existem rupturas no fluxo, tudo isso vem à tona.

Questões: o ser é levado ao fundo de um poço escuro, no qual encontra a si mesmo refletido em superfícies antes irreflexivas. Em diante, trava-se uma batalha de dificuldade altíssima: compreender, ou melhor, digerir os frutos do conclave. No mais, qualquer tentativa de regresso ao estágio anterior será falida, porque falsa, porque inviável.

Sejam reais ou não (os parâmetros para distinguir estão longe de serem idôneos), inquietações serão sempre passos em direção do desconhecido. O estrangeiro assume (e é), aos mais perspicazes, o gosto irrecusável do prazer. Sintomas gerados a partir da compreensão plena (mas vagarosamente erguida) do exercício do ser humano, que palpita e exala vida, que exerce a vida nos intervalos mais imperceptíveis da sua existência. É o estar extático! Vida em êxtase!

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