A sensação que tenho ao perceber a aproximação do fim é de estranhamento, num primeiro momento. Na verdade, não se trata, exatamente, de fim, mas, sim, de conclusão. Espécie de ciclo começado, desenvolvido e, finalmente, fechado, o que não declara um fim, porque a continuidade existe e é necessária.O ciclo se fechou. E olhar ao redor e encontrar as coisas dispostas como há muito tempo não é fácil. As expectativas sempre me levam a lugares chocantes, atraentes, sedutores. Algo que, em muito, me faz fugir da realidade desgostosa. Essas criações todas... se elas pudessem falar, ao menos, uma só vez claramente o que são e significam, possivelmente essa seria uma oportunidade para eu distinguir aquilo que existe daquilo que não faz sentido algum. Porque, às vezes, o que me faz voar me prende e, suspensa no ar, eu fico. Então, tendo em mãos algo de material (real) seria mais fácil o processo duplo de (des)apegar-se.
Penso ser essa a estação outonal, na qual as folhas já amareladas vão, destacam-se de suas raízes e vão, seguem. Porém, neste caso, o ciclo de finda.
É uma coisa toda, uma necessidade toda de fechar o ciclo, tornar as coisas redondas, acabadas e independentes para assim tornar o terreno aberto e livre. Depois, vem o inverno e, depois, a primavera.
imagem: robert and shana parkeharrison

Um comentário:
é o ciclo sem fim da criação...
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