segunda-feira, julho 12, 2010

o ser (não-)livre

"Essa graça das marionetes é sublinhada por sua aparente leveza: quase não tocam o chão, nada as liga à Terra, pois são suspensas do alto. Representam um estado de graça, um paraíso perdido para o homem, que, ao afirmar-se de forma "livre" e vonluntária, torna-se consciente de si. O bailarino é um exemplo desse estado de decadência do homem: não é puxado do alto, mas sente-se ligado à Terra e, no entanto, para efetuar seus passos com graciosidade, tem de se mostrar leve. Tem de procurar conscientemente atingir a graça. Nisso reside o paradoxo do homem: não é um animal totalmente imerso no meio terrestre, nem a marionete angelical que flutua com graciosidade no ar, mas um ser livre que, em virtude de sua própria liberdade, sente a pressão insuportável que o atrai e liga à Terra, à qual, em última análise, não pertence" (ŽIŽEK, Slavoj. Lacrimae rerum).

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